Haddad afirma ser difícil fazer aliança com Kassab
O assédio do prefeito Gilberto Kassab (PSD) ao PT para formar uma aliança na eleição municipal de São Paulo foi recebido sem entusiasmo pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, pré-candidato petista à prefeitura.
Em entrevista à Folha anteontem, ele disse que Kassab prefere fechar um acordo com os tucanos para lançar o ex-governador José Serra (PSDB) ou o vice-governador Guilherme Afif Domingos (PSD).
Ele deixou claro que, em sua visão, a prioridade do prefeito não é apoiá-lo. “Não podemos deixar de ter clareza de que o projeto que está em curso não é esse”, disse.
O plano original de Kassab esbarra em dois problemas: Serra resiste a se candidatar à prefeitura, e o PSDB, com aval do governador Geraldo Alckmin, rejeita apoiar Afif.
A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem que Haddad deixará o Ministério da Educação na terça para se dedicar à campanha.
Folha – Em setembro o sr. disse que a gestão Kassab era provinciana. Como avalia agora a possibilidade de aliança com o partido dele, o PSD?
Fernando Haddad – Eu comentei que não tinha conseguido fazer a quantidade de parcerias que desejava com São Paulo. Os problemas na cidade não são simples.
Como pré-candidato, tenho conhecimento da máquina federal que me faz crer que oportunidades podem ser oferecidas aos paulistanos, algumas das quais eles nem sequer conhecem.
E a possibilidade de aliança com o prefeito?
Fernando Haddad – O que Kassab disse ao presidente [Lula], e eu ouvi do próprio presidente, é que seu projeto continua sendo o anunciado: oferecer apoio ao Serra ou receber apoio ao Afif. Ele reiterou isso, inclusive nos jornais. Este é o plano dele.
Foi um gesto de generosidade dele elogiar o PT, mas não podemos deixar de ter clareza de que o projeto que está em curso não é esse. É isso o que me chegou.
A recomendação que fiz ao PT foi fazer um balanço da nossa relação com os partidos da base da presidente Dilma. O movimento [de negociar com o PSD] é muito novo e precário.
O sr. se sentiria incomodado com um vice do PSD?
Fernando Haddad – Estou estudando a cidade. Neste momento, estou abrindo a discussão com setores simpáticos não petistas para debater mobilidade, saúde, educação, urbanismo.
O segundo momento é o gesto em direção aos partidos da base da presidente Dilma. Qualquer que seja o cenário, procurar uma aproximação com esses partidos.
O que o sr. acha da possibilidade de ter Gabriel Chalita [PMDB] como seu vice?
Fernando Haddad – Estarei sempre aberto para discutir com o PMDB. Mas eles já estão em uma posição mais adiantada [de lançar Chalita]. À parte da amizade que temos, vamos manter a interlocução permanente.
O sr. já foi acusado de ser um “estrangeiro”, confundiu Itaim Paulista com Itaim Bibi…
Fernando Haddad – É uma crítica que desqualifica o debate. O que vai ajudar São Paulo é discutir ideias.
O Enem (exame do ensino médio) teve sucessivas falhas. Como responder às críticas?
Fernando Haddad – Os problemas foram pontuais. Não estou falando de 2009, um ano atípico. Estou falando das questões pontuais de 2010 e 2011. Foram localizadas, de fácil superação.
Farei do Enem, do ProUni [bolsas para alunos pobres nas universidades privadas], do Sisu [seleção de vagas nas federais] bandeira de luta pela democratização do acesso dos estudantes da escola pública às universidades.
Me orgulho muito e não terei dificuldade em discutir um assunto que me enche de paixão e de orgulho.
Da Folha de S.Paulo (para assinantes)