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08/09/2011 às 14:34h

Assembleia convida 7 da Sabesp a dar explicações

A Comissão de Fiscalização e Controle da Assembleia Legislativa decidiu convidar sete funcionários e ex-dirigentes da Sabesp para explicar os contratos assinados pela estatal com empresas de ex-diretores. Os negócios foram revelados pelo Jornal da Tarde nos últimos meses.

Os alvos dos pedidos feitos pelo deputado Luiz Moura (PT) são a presidente da Sabesp, Dilma Pena, o seu antecessor no cargo, Gesner Oliveira, os atuais diretores Luiz Paulo de Almeida, Paulo Massato e Marcelo Salles, que já teria pedido demissão (leia abaixo), e os ex-diretores Umberto Semeghini e Nilton Seuaciuc.

“Como até agora eles não se posicionaram, vamos aproveitar a visita deles para esclarecer de vez esses contratos da Sabesp com empresas ligadas a ex-diretores”, afirmou o petista. Ainda não há data definida para os depoimentos. Por se tratar de convite, o comparecimento não é obrigatório.

Negócios suspeitos

Em julho, o JT revelou que a Gerentec Engenharia, que tem como sócio o ex-diretor de Sistemas Regionais da Sabesp Umberto Semeghini, elevou de R$ 40 milhões para R$ 115 milhões os contratos – diretos ou por meio de consórcios – com a estatal no período em que o engenheiro deixou a empresa para ser dirigente da companhia, entre 2007 e janeiro de 2011. Semeghini nega conflito de interesses. Ele foi substituído por Luiz Paulo de Almeida.

Caminho semelhante fez o ex-superintendente de Novos Negócios Nilton Seuaciuc. Em março de 2007, ele deixou a Vitalux Eficiência Energética para ingressar na estatal, onde ficou até o início deste ano. Enquanto ocupava o cargo público, os contratos da Vitalux com a estatal subiram 251%, chegando a R$ 23,5 milhões. Seuaciuc, que voltou para a Vitalux em março, nega irregularidade.

Já Marcelo Salles, diretor de Tecnologia, Empreendimentos e Meio Ambiente, foi sócio, entre 2004 e 2007, da Estudos Técnicos e Projetos Etep. Até 2007, ela firmou R$ 8,1 milhões em contratos com a Sabesp. Entre 2007 e 2010, quando ele virou diretor da companhia, os negócios saltaram para R$ 185,4 milhões. Ele também nega haver qualquer conflito.

Alguns dos contratos da Sabesp com as empresas foram assinados pelo diretor Metropolitano, Paulo Massato, na gestão do ex-presidente Gesner Oliveira. Ambos foram convidados a depor na Assembleia. Já Dilma Pena pode ser questionada pela segunda vez na Casa sobre as contratações. No mês passado, na mesma comissão, ela negou irregularidades e classificou como “ilações” as reportagens do JT.

Demissão

Convidado a prestar esclarecimentos na Assembleia, Marcelo Salles teria pedido demissão da diretoria de Tecnologia, Empreendimentos e Meio Ambiente da Sabesp. Segundo relatos de funcionários da estatal, Salles comunicou a decisão à presidente da empresa, Dilma Pena, na noite da última quinta-feira e entregou a carta com o pedido de desligamento na sexta.

O Jornal da Tarde, desde a semana passada, tentou confirmar a informação com a assessoria de imprensa da companhia, por meio e-mail e telefone. Durante três dias, os assessores não responderam os questionamentos.

A reportagem também tentou falar diretamente com Salles, mas a secretária do diretor informou que ele estava em uma “reunião externa” que duraria “de uma a duas semanas”.

No mês passado, o JT revelou que Salles emprega em sua diretoria Marisa de Oliveira Guimarães, esposa do engenheiro Alceu Bittencourt. Ele é dono Cobrape, que, além de assinar contratos de ao menos R$ 75 milhões com a Sabesp nos últimos quatro anos, já se uniu com a Etep, da qual Salles foi sócio entre 2004 e 2007, em quatro consórcios que ganharam R$ 13 milhões em contratos com a companhia. Cobrape e Sabesp negam conflito de interesses.

Do Jornal da Tarde





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